Antes dos Judeus, os Alemães orquestraram um genocídio em África

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Foto: DR

Por: Miguel Manuel

Nas últimas décadas, a palavra GENOCÍDIO ficou muito associada à barbárie que Hitler impôs aos judeus e testemunhas de Jeová, em Alchewitz, na Polónia. O mundo todo lamenta e, com razão, a forma como seres humanos foram dizimaados à escala industrial.

Os “cientistas” de Hitler, como Joseph Mengel, faziam experiências, usando presos para toda sorte de imaginação, na tentativa de criar uma raça “Pura”, a ariana: injeções com substâncias coloridas para certificar se a cor dos olhos mudavam para verde; exposição a baixas temperaturas para testar a resistência humana em situações de permanência em ambientes inapropriados, caso os pilotos se despenhassem em zonas muito frias e, para preparem os que seriam os astronautas que iriam ao espaço.

Foram os cintistas alemães, no governo de Hitler, que desenvolveram o início dos aparelhos que, mais tarde, os norte-americanos, aproveitaram para fabricar as naves espaciais, na guerra fria.

Vários cientistas alemães foram detidos e levados a América para desenvolver o que começaram a criar na Alemanha. Deram-lhes nacionalidade e, só mais tarde, nos anos 80, foram descartados pelo sistema norte-americano). Voltando às experiências macabras nos campos de concentração, o grande objectivo era criar fatos e equipamentos apropriados para a sobrevivência em cenários onde os seres humanos não sobreviveriam sem ajuda de meios sufisticados.

Com tudo isso, em resumo, o mundo ficou chocado, ao saber que seres humanos ousaram chegar a esses níveis de desumanidade. Mas, chegaram.

O impacto tem repercussão até os nossos dias, abafando outras loucuras sangrentas que os alemães lideraram na conquista do poder e aquisição de riquezas: o genocídio no Sudoeste Africano, actual Namibia.

Antes do mundo conhecer Adolf Hitler, os alemães já exploravam territórios na actual Namibia e usavam mão de obra escravizada de HEREROS E NAMAS, povos semi nómadas de origem bantu. Importa dizer que Angola tem na sua população um número considerável de hereros, nas províncias do Namibe, Huíla e Cunene ( quando ouve falar de mucubais, mutuas e imbas, só como exemplos, é de hereros que se trata).
Nesse caso, cabe aos angolanos que tomarem contacto com esse artigo, se colocarem no enredo aqui apresentado, para não lamentarem apenas pelas atrocidades contra judeus mas, saberem que o mundo teria de se levantar, antes, contra o esquecimento do que foi feito cá, contra angolanos e namibianos.

Eis os factos:

Em Janeiro de 1904, nem se imaginava ainda a primeira guerra mundial, (1914- 1919), o líder herero Samuel Maharero, planeou uma revolta contra os exploradores alemães
que, por vinte anos, maltravam e criavam intrigas entre os povos da região para reinarem com facilidade. Nesses lugares, os africanos trabalhavam horas sem alimentação, muitas vezes, horas sem água e, constantemente chicoteados, sempre que reclamassem da falta de assistência básica.

Numa carta dirigida ao chefe de tribo Nama, Hendrik Witbooi, o líder herero escreveu: “toda nossa subserviência e paciência para com os alemães não nos trouxe vantagens. Por isso, faço um apelo, meu irmão, para que participes da nossa revolta de modo a toda África levantar suas armas contra os alemães ”
Em resposta, os alemães , por meio do imperador Guilherme 2°, mandou tropas comandadas pelo general Lothar Von Trotha ao Sodueste Africano Alemão( Namibia)

O governador Theodor Von Theodor respondeu que conhecia muitas tribos africanas e que terror, violência eram a sua política.

Com isso, começou uma dura perseguição aos hereros, em agosto de 1904, na batalha de Waterberg, a 400 km de Windhoek. Dos 80 mil hereros envolvidos na revolta, apenas 15 mil conseguiram escapar com vida, refugiando-se para o Botswana, país, na altura, sob domínio do império britânico. Outros sobreviventes, tentaram voltar para seus território de origem.

Porém, esse massacre não foi suficinte para o orgulho alemão. O general Trotha baixou uma ordem de extermínio aos revoltosos, em outubro de 1904.

O chanceler Bernhard Bulow tentou impedir a barbárie, com o único argumento de que os hereros eram mão de obra indispensável para as fazendas e minas de ouro no Sudoeste Africano. Apesar de o imperador ter hesitado por duas semanas, revogou a ordem de extermínio.

As atrocidades continuaram por décadas mas, munca houve uma postura de uma potência ocidental para travar tais atrocidades.

Passaram-se décadas até a segunda guerra, na Europa e, por lá, o mundo foi obrigado a gritar e envolver-se num óbito colectivo.

Onde estiveram as potências acidentais, quando os hereros sofreram o genocídio?

Se após a segunda guerra ter terminado a Alemanha pediu desculpas aos judeus e outros povos que sofreram pelas mãos dos nazistas, por que não se fez mesmo para com os africanos? Milhares de famílias vitimas da guerra na Europa foram indeminizadas; não seria a mesmo tratamento dado aos hereros?

Entre 2011 e 2014, as autoridades alemães devolveram aos namibianos, 14 crânios e partes de corpos de hereros e namas, que tinham sido levados para a Alemanha, para servirem estudos científicos, para apurar as crenças que os europeus defendiam da existência de uma raça superior.

Apesar de, numa cerimônia entre representantes namibianos e alemães, uma mimistra ter dito que lamentava profundamente do fundo do coração, nunca houve um pedido de desculpas formal do estado alemão, como fez com outros povos.

Todos os anos, recorda-se o dia do genócidio de Alchewitz, na Polónia, quando se vai falar do genocídio no Sudoeste Africano, que ocorreu antes?

Se todos são obrigados a estudar a segunda guerra mumdial e suas consequencias, o que falta para o mundo estudar, nas suas escolas e universidades, sobre as invasões em África e suas consequências?

E qual a postura dos países africanos em relação a isso?

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