Estreia de “Sapeur: A Grande Burla” Marca Abertura da 8.ª Edição do FIC Luanda
Notícias de Angola – A abertura da edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda), realizada na última quinta-feira, 28, ficou marcada pela celebração da cultura e pelo reencontro do público com as salas de cinema.
O grande destaque da noite foi a estreia mundial da longa-metragem angolana “Sapeur: A Grande Burla”, dirigida pelo realizador Denis Miala, que assumiu o papel de grande protagonista do arranque do festival.
Por Victor Prisma
O evento reuniu uma expressiva moldura humana, figuras da cultura e representantes institucionais, numa demonstração de uma dinâmica de proximidade renovada entre o Ministério da Cultura e os criadores do sector cinematográfico nacional.
Em tom emocionado, Denis Miala partilhou o significado de estrear a obra no seu país: “As estrelas alinharam-se e a gente conseguiu estrear o nosso filme mundialmente aqui em Luanda. Consigo ter a família aqui, os amigos, e a história é muito nossa”. O cineasta revelou que o processo de edição do filme durou cerca de um ano e celebrou a reacção entusiasmada da plateia, que respondeu com risos, gargalhadas e emoção.

Recursos, Infra-estruturas e Visão do Sector
Em declarações aos jornalistas, o realizador sublinhou que os desafios financeiros continuam a ser o principal obstáculo da produção nacional. No entanto, destacou que o apoio do Executivo deve ir além do financiamento directo e apontou a reabilitação de salas históricas — como o Cine Nacional e o Cine Angola — como um passo determinante para garantir a distribuição independente de filmes em Angola.
Sobre o avanço das novas tecnologias e da Inteligência Artificial (IA) no cinema, Denis Miala defendeu a necessidade urgente de regulamentação e leis que protejam os direitos de autor contra a pirataria. No entanto, mostrou-se categórico ao afastar receios quanto ao impacto da IA na criação artística: “A inteligência artificial nunca poderá fazer uma obra como essa. Isso são coisas que saem do coração, da vivência e da alma. Quem quiser filmes com IA vai ter filmes sem alma”.
O realizador defendeu ainda o rigor na formação académica dos novos cineastas e traçou a sua estratégia para a difusão da obra, com a afirmação de que a prioridade é fazer o filme circular por todas as províncias angolanas antes de avançar para a internacionalização: “Quero que as pessoas vejam o filme em Angola — no Cunene, no Namibe, no Uíge, na Lunda. Primeiro aqui dentro, depois África, e só depois a Europa”.
A exibição de “Sapeur: A Grande Burla” abre assim com chave de ouro os dias de exibições do FIC Luanda, numa reafirmação da vitalidade, da identidade e do potencial do cinema feito em Angola.
Comentários estão encerrados.