Angola virou Sanzala

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Opinião de Olívio dos Santos

Por: Olívio dos Santos

A Comunicação Institucional, entre as suas várias funções nas administrações, estabelece ligação entre a organização e a sociedade, sendo dividida em dois grandes pilares, nomeadamente a comunicação interna e a externa. Esse “casamento” só se torna possível quando existe uniformização nos processos comunicacionais da organização, cujo objectivo centra-se em fortalecer a confiança com os públicos estratégicos, stakeholders.

A palavra comunicação, como se conhece, deriva do latim “communicare”, que significa tornar comum. Neste sentido, ao invés de se limitar em falar, os gestores públicos e privados precisam comunicar. Esse processo de comunicar traz consigo transparência, confiança, relacionamento, credibilidade e, finalmente, reputação ao indivíduo, à instituição e, inclusive, ao Estado.

Notícias de Angola

Segundo Tânia Pereira (2014, p.44.), o termo vem do latim “putus”, que significa pureza. Reputação, assim, significa manter a coerência de uma imagem entre seus valores professados e praticados. A ausência da comunicação provoca incomunicação, ou melhor, ruído. Conhecendo e antevendo o poder da comunicação, o antigo presidente sul-africano, Nelson Mandela, tinha dito que “se falar com um homem numa linguagem que ele compreende, a mensagem entra na cabeça dele. Mas se falar com ele em sua própria linguagem, a mensagem atinge o seu coração”. Mais do que poesia aos ouvidos, essa filosofia, pincelou os seus 95 anos de vida.

Mesmo que “a construção de relacionamento entre organizações e seus públicos prevê habilidades para administrar conflitos…” (Galerani, 2006, p.42), é imperioso saber que “mais do que nunca, a coerência entre o discurso e atitude é fundamental para a conquista da credibilidade, da construção e a consolidação da reputação”, como defende o jornalista e político brasileiro, Miguel Jorge.

Já um provérbio popular ressalta que “os inteligentes aprendem com os seus erros e os sábios com os erros dos outros”. Entretanto, passados 45 anos de Independência, ainda temos vindo a aprender com os nossos erros e descoramos a linguagem dos sábios, que consiste em aprender com os exemplos de outros países.

Para minimizar esta tendência, o filósofo alemão, Friedrich Nietzsche (1844-1900), ainda no Séc. XIX tinha profetizado que “é mais fácil lidar com uma má consciência do que com uma má reputação”. Mas, apesar disso, entre nós, coincide que ninguém ouviu a “mensagem profética”, ou melhor, poucos, senão mesmo uma dúzia de indivíduos e instituições.

Além de ser “Vergonha”, como escreveu o jornalista e director do jornal Expansão, João Armando, no editorial da edição nº 627, de 4 de Junho, mostra falta de comprometimento com o povo, com os princípios e valores que norteiam à nação angolana, que aos poucos, tem-se transformado numa sanzala, deixando escolas sem carteiras, hospitais desertos, fome à zunga, bairros escuros e com torneiras empoeiradas e milhões de kwanzas em contentores, em apartamentos, em jóias e em calçados, mesmo com os meninos descalços no bairro “indígena”. ‘Todavia, anda-se em cavaqueiras com os “vizinhos” do Velho Continente “gimolando” kilapes. A República de Angola, do poeta da Sagrada Esperança, António Agostinho Neto, virou sanzala; pois qualquer indivíduo faz o que bem lhe apetece. Ninguém, pelo menos é o que se vê, se importa com a reputação do país a nível internacional.

O 16° presidente dos Estados Unidos da América (EUA), Abraham Lincoln, que governou aquela potência mundial de Março de 1861 até ao mês de Abril de 1865, ano em que foi assassinado, tinha alertado os políticos que “o carácter é como uma árvore e a reputação como sua sombra. A sombra é o que nós pensamos dela; a árvore é a coisa real”.

Portanto, uma das mais respeitadas vozes no que diz respeito à Comunicação Institucional no Brasil, Margarida Kunsch, explica que “vivemos a economia da reputação, na qual vai ficar na memória e com uma boa reputação a empresa que souber se comunicar com seus públicos estratégicos”. Essa recomendação, não se restringe unicamente às empresas, mas, sobretudo, aos governos. Quem ousar não comunicar, seguramente que terá pouco tempo de vida e deixará o reino para os “sábios”.

Jornalista e Consultor de Comunicação

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