A capital angolana volta a ser o palco central da sétima arte com a realização da 8.ª edição do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda), marcado pela retoma das actividades após uma paralisação de 11 anos.
Durante o discurso inaugural, o director-geral do FIC Luanda, Jorge Cohen, destacou o valor simbólico do regresso do festival à capital. “A Kianda está de volta! Formosa, elegante, com um carácter vincado e uma missão clara: devolver o cinema à cidade de Luanda”, declarou perante uma plateia composta por cineastas, agentes culturais e membros do Governo.
A presente edição do festival conta com uma exibição de mais de 100 filmes provenientes de mais de 20 países, com destaque para as produções do Brasil e da Nigéria. Em alusão ao 11 de Novembro, o programa integra uma secção dedicada aos filmes sobre a Independência Nacional, além da mostra infantil “Kianandengue”, concebida para cultivar o hábito de ir ao cinema junto dos mais novos.
A competição nacional reúne 25 obras angolanas. Na sua intervenção, o responsável enfatizou a função social do sector: “O cinema não é um luxo, não é só uma carpete vermelha, não é apenas entretenimento. Cinema é espelho, é memória, é celebração, é imaginação”.
Ocupação dos espaços e o desafio dos novos públicos
Em declarações prestadas à imprensa, Jorge Cohen frisou que o regresso do FIC Luanda coincide com a reabertura de várias salas de projecção no centro da cidade. O responsável evitou focar-se nas razões que ditaram o interregno de mais de uma década, preferindo destacar a oportunidade de unir gerações e fortalecer o sector.
“Não estamos a começar, já existe cinema angolano. É muito bom reunir e ter esse encontro intergeracional”, afirmou o director. O programa das actividades inclui exibições diárias, sessões de debate e espaços de intercâmbio entre profissionais no período da manhã, visando dinamizar a Baixa de Luanda e incentivar o público a reapropriar-se dos espaços culturais da cidade.