Notícias de Angola – Para além do glamour das estreias e dos discursos oficiais de abertura de do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda), a arte cinematográfica em Angola enfrenta o desafio de se afirmar como um pilar de identidade e reflexão social.
Numa declaração prestada à imprensa, o Ministro da Cultura, Filipe Zau, colocou em evidência o papel do cinema na Desconstrução de Preconceitos e na Promoção da Unidade Nacional.
Victor Prisma
Segundo o governante, a produção nacional não deve ser vista apenas como mero entretenimento, mas como um veículo essencial de cidadania, capaz de abordar os estereótipos que ainda persistem na sociedade e de dar voz à diversidade cultural do país.
“Somos um país diverso, onde temos vários tipos de culturas dentro da nossa cultura”, afirmou o titular da pasta, sublinhando que o desenvolvimento sustentável de uma nação se constrói também com a “alma das pessoas”, e não exclusivamente com recursos minerais como o petróleo e os diamantes.
Contudo, este olhar sobre o impacto social da sétima arte contrasta com a dura realidade financeira vivida pelos profissionais do sector. O ministro reconheceu a escassez de recursos no meio artístico, admitindo que o sector cultural “não é rico” e que, durante muito tempo, a falta de financiamento afastou talentos do mercado.
Em resposta às carências do sector, o Ministério da Cultura reiterou a intenção de reabilitar salas de projecção históricas e de estender as acções de fomento para além da capital, no intuito de evitar a concentração da actividade artística em Luanda e de criar bases sustentáveis para a produção audiovisual nacional.