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Jornalista nigeriano destaca ambição do FIC Luanda e traça paralelos entre cinema angolano e Nollywood

"O cenário em Angola é semelhante ao que vivemos na Nigéria".

Notícias de Angola – O FIC Luanda é um projecto ambicioso e um passo importante para a afirmação da sétima arte em Angola. A avaliação é do jornalista e crítico cultural nigeriano Oris Aigbokhaevbolo, que integrou a delegação nigeriana presente na 8.ª edição do festival.

Por Victor Prisma

Em declarações prestadas nesta segunda-feira, 2, em Luanda, durante o encerramento do evento, o especialista sublinhou aspectos pontuais a aprimorar, embora o festival não tenha ainda uma década de existência [do ponto de vista da sua realização regular].

Aigbokhaevbolo considera-o um projecto sólido. “Faz todo o sentido que Angola tenha a sua própria plataforma cinematográfica. É algo muito positivo”, afirmou, classificando o evento como uma iniciativa “bastante razoável e promissora”.

Ao analisar as produções locais, o jornalista observou a coexistência de duas correntes distintas no cinema angolano contemporâneo: uma vertente voltada para o circuito internacional, alinhada com padrões globais, e outra de carácter estritamente nacional, com forte apelo popular e grande adesão de público.

“Na minha perspectiva, são duas tradições cinematográficas diferentes num só país, e faz todo o sentido que ambas continuem a crescer nos próximos anos”.

O crítico traçou ainda um paralelo directo entre a realidade angolana e o ecossistema cinematográfico da Nigéria, amplamente conhecido como Nollywood. Segundo Aigbokhaevbolo, a indústria nigeriana vive um momento de forte expansão, albergando desde produções comerciais de grande bilheteira até ao cinema de autor e propostas intermédias.

“De certa forma, o cenário em Angola é semelhante ao que vivemos na Nigéria. A diferença reside no facto de produzirmos em maior volume e sermos mais conhecidos no exterior, seja por uma capacidade de marketing mais consolidada ou pela vasta diáspora nigeriana”, concluiu, reforçando o optimismo quanto ao futuro do cinema feito no continente africano.

Oris Aigbokhaevbolo é um escritor, crítico e ensaísta nigeriano, vencedor do prémio All Africa Music Awards na categoria de Jornalista de Música/Entretenimento do Ano. Em 2023, foi nomeado votante internacional dos Globos de Ouro.

Estudou Farmácia na Universidade do Benin, na Nigéria, onde obteve o grau de Doutor em Farmácia. Posteriormente, participou em academias de crítica cinematográfica na Alemanha, África do Sul e Países Baixos.

Participou na votação decenal da revista Sight & Sound para a lista dos “Maiores Filmes de Todos os Tempos” (2022), incluindo na sua seleção obras como Cidadão Kane e Viva Riva! Ao longo da sua carreira, contribuiu para publicações de prestígio internacional como The Guardian, The Washington Post, The New York Review of Books, London Review of Books, Sight & Sound e The Africa Report, além de ter escrito críticas de cinema para o portal BellaNaija.

Aigbokhaevbolo é também cofundador e editor-chefe da revista literária Efiko, bem como fundador da publicação especializada em cinema Film Efiko.

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