Ghost Elephants leva biodiversidade angolana ao FIC Luanda

Notícias de Angola – O documentário “Ghost Elephants”, do realizador alemão Werner Herzog, foi exibido neste sábado, 31, na Cinemateca Nacional 2, no âmbito da mostra Visit Angola do Festival Internacional de Cinema de Luanda (FIC Luanda) 2026.

Redacção

Filmada no interior de Angola, a obra acompanha uma expedição à procura de uma misteriosa manada de elefantes e chama a atenção para a riqueza natural do país e a importância da conservação da biodiversidade.

O documentário acompanha uma expedição liderada pelo biólogo e explorador Steve Boyes, da National Geographic, em regiões remotas do leste de Angola. A investigação procura os chamados “elefantes fantasmas”, cuja existência esteve durante anos envolta em relatos e dúvidas, e apresenta paisagens e ecossistemas pouco conhecidos do grande público.

A expedição percorre áreas ligadas ao complexo de conservação de Luengue-Luiana e Mavinga, na província do Cuando, documentando a procura de vestígios destes animais. Ao longo do percurso, o filme combina investigação científica, exploração e conhecimento das comunidades locais, mostrando a importância da preservação dos habitats naturais e das espécies que neles vivem.

Para Jorge Cohen, director do FIC Luanda, a apresentação de “Ghost Elephants” permite dar a conhecer outras regiões de Angola e sensibilizar o público para a conservação ambiental. “Não conseguimos preservar algo que não conhecemos. Então, ao vermos o documentário, passamos a ter uma visão diferente sobre o tema e podemos ter mais preocupação de preservar o que é de todos nós, a fauna, a flora e um pouco o país”, afirmou.

O responsável destacou ainda a importância de o filme retratar territórios fora da capital, permitindo aos espectadores conhecer paisagens e realidades ambientais menos representadas no cinema. A obra, apresentada em 2025 no Festival Internacional de Cinema de Veneza, integra a filmografia de Werner Herzog, conhecido por documentários que exploram a relação entre o ser humano, a natureza e territórios de difícil acesso.

Gildo Caetano, um dos espectadores presentes na sessão, disse: “o documentário fez-me perceber que Angola tem uma riqueza natural que muitos de nós ainda desconhecemos”. “Ver estes elefantes e compreender o trabalho necessário para os encontrar mostra-nos que proteger a natureza começa por conhecê-la”. “Não podemos esperar que estas espécies desapareçam para reconhecer a importância de as preservar, recomendou”

A exibição integra a mostra Visit Angola, que reúne filmes dedicados às paisagens, comunidades, tradições e património natural do país. A programação inclui ainda “Into the Okavango”, “Kwando”, “Virei”, “Kalunga” e “Tchitundu-Hulo”, apresentando diferentes perspectivas sobre a diversidade territorial e ambiental de Angola.

Neste domingo, 1 de Novembro, a mostra Visit Angola prossegue no Centro de Ciência de Luanda, com a exibição de “Os Mangais” e “Tchitundu-Hulo”, às 10h00, “Into the Okavango”, às 10h30, “Kwando”, às 15h00, e “Kalunga”, às 16h00. As sessões permitem ao público conhecer outras paisagens, ecossistemas e referências culturais do território angolano.

A programação do FIC Luanda inclui ainda “Os Papéis do Inglês”, “The Odds” e “Sirât”, na Cinemateca Nacional 1, e “Mami Wata”, na Cinemateca Nacional 3. No Cine Teatro Nacional, estão previstas as exibições de “Parto Rosa” e “Weza”. À noite, o Cine Zunga, no Largo do Kinaxixi, apresenta “O Grande Kilapy” e “Sambizanga”, em sessões gratuitas ao ar livre.

O FIC Luanda 2026 decorre até 2 de Novembro, com mais de 100 filmes de mais de 20 países, entre competições, mostras e actividades de formação. A programação completa está disponível em www.ficluanda.com.