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Entre o namoro sério e os “ajudantes de custos”: um alerta à juventude angolana

Há momentos na vida de uma nação em que o silêncio deixa de ser prudência e passa a ser cumplicidade. Angola vive hoje um desses momentos. Assistimos, sobretudo entre a juventude, a uma erosão progressiva de valores que durante décadas sustentaram a família, o respeito mútuo e a convivência social.

Por: António Santareno

O preço dessa perda começa a ser cobrado, não apenas no plano individual, mas no futuro colectivo do país.

A aculturação entendida como a adopção irreflectida de comportamentos e modelos externos tornou-se prática comum. Importam-se estilos de vida, padrões de sucesso e modelos de relacionamento que pouco dialogam com a nossa realidade social, económica e cultural. Muitos jovens conhecem as tendências globais, mas desconhecem os valores que moldaram a família angolana. Como alerta a Escritura: “Não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” (Romanos 12:2).

Essa crise manifesta-se de forma clara nas relações afectivas. O namoro sério, baseado na fidelidade, no respeito e na construção de um futuro comum, vem sendo substituído por relações de conveniência. Amar uma única pessoa passou a ser visto como fraqueza; o compromisso, como atraso; e a fidelidade, como ingenuidade. No entanto, a base de qualquer relação duradoura continua a ser a mesma: O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta” (1 Coríntios 13:7)

É nesse cenário que surge, de forma cada vez mais normalizada, a figura dos chamados “ajudantes de custos”. Relações deixam de ser espaços de partilha emocional e passam a funcionar como mecanismos de sobrevivência material. Para uma parte da juventude feminina pressionada pelo desemprego, pelo custo de vida elevado e por uma noção distorcida de independência o parceiro deixa de ser companheiro e passa a ser recurso financeiro. Um só não basta, porque o vínculo deixou de ser afectivo e passou a ser utilitário.

É preciso dizer com clareza: isto não é emancipação, é substituição de valores. Não se trata de atacar a mulher angolana, cuja força e resiliência sempre sustentaram famílias e comunidades, mas de questionar um sistema social que normaliza a troca de dignidade por conforto e apresenta o consumo como sinónimo de sucesso. A Bíblia adverte: “Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Marcos 8:36). A pergunta é inevitável: que tipo de progresso estamos a construir quando o caráter se torna negociável?

Outro sinal preocupante é a relação da juventude com os mais velhos. Os conselhos dos cotas guardiões da memória, da experiência e da sabedoria comunitária são muitas vezes descartados como sinais de atraso ou falta de visão. No contexto angolano, onde a tradição sempre valorizou a palavra do mais velho, essa rejeição representa uma rutura perigosa. A Escritura lembra: “Na multidão de conselheiros há segurança” (Provérbios 11:14).

As consequências já são visíveis: relações frágeis, paternidade irresponsável, famílias instáveis e uma juventude que exige direitos, mas rejeita deveres. Fala-se muito de liberdade, mas esquece-se que a verdadeira liberdade exige limites, responsabilidade e consciência moral. Como ensina a Bíblia: “Tudo me é permitido, mas nem tudo convém” (1 Coríntios 6:12).

Este texto não é um apelo ao regresso cego ao passado, nem uma recusa da modernidade. Angola precisa de progresso, inovação e oportunidades para os seus jovens. Mas não há desenvolvimento sustentável sem valores, nem crescimento económico que compense a falência moral. Uma nação não se constrói apenas com Betão e tecnologia, mas com famílias estáveis, relações responsáveis e cidadãos com princípios.

Resgatar o valor do namoro sério, da fidelidade, do respeito mútuo e da escuta aos mais velhos não é retroceder é preservar o essencial. Se continuarmos a confundir modernidade com permissividade e liberdade com ausência de responsabilidade, corremos o risco de construir um país que aparenta avançar, mas que perde o sentido de viver com dignidade.

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